domingo, 22 de setembro de 2013

Ashes

Eu prezo pelo dia em que escreverei aqui um post diferente. Um que não se trate da escuridão do meu ser. Ainda espero que um dia eu consiga sentir-me tão bem a ponto de escrever um texto com plenitude.
Estou preso. Não sei como libertar-me. Eu dei passos em direção a luz. Eu mudei. Mudei tanto. Olho no espelho todo dia e cada vez mais pareço ser eu mesmo.
Mas o que mais falta? O que eu não estou enxergando?
Não me sinto nem um pouco satisfeito.
Não sei se algum dia me sentirei.
Eu sinto uma angustia muito forte em meu peito. Que não passa. Não some. Não acalanta.
Ela me consome por dentro. De noite. Quando eu acho que ta tudo bem, ela espreita pela penumbra. Assombra.
Eu não quero isso. É torturante. É como viver em constante tortura. Nunca estar bem. Nunca estar suficientemente bem. Ter uma felicidade tão frágil assim.
E ter que achar energia. Do nada. Para botar em movimento a vida. Os trabalhos. A faculdade.
E pra que?
Sinto-me alienado.
Descrente.
Sem um segundo de paz no meu mundo.
E tudo que eu consigo fazer é flutuar.
Deixar-me levar.
Porque cansei de lutar.
Cansei de fazer esforço para alcançar algo que só foge de mim.
Que quanto mais eu corro, mais longe parece estar.

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

???

Queria poder povoar o mundo com minhas verdades. Ver espalhar-se pelo infinito a alegria de viver.
Eu estou apaixonado. Ou seria obcecado. Não sei ao certo ainda.
Uma inconstância sofrida, um a cada dia sentir algo diferente. 
Certezas que somem e duvidas que perduram. 
Certezas que aparecem e duvidas que me enforcam.
Eu quero tanta coisa. Eu me direcionei pra um objetivo. Eu acendi o pavio. E estou esperando a explosão pra me lançar.
Mas meu coração quer voar pra outra direção.
Não sei se por conveniência. Mas estou apaixonado.
É duro admitir, sendo que essa pessoa que eu conheço a tao pouco tempo, esteja alimentando tamanha obsessão. 
Mas é tao inalcançável. Inatingível. 
Não tenho nenhuma escolha.
E isso me frustra. Passei a vida treinando, questionando, preparando-me. Passei os ultimos anos procurando um teste, um lugar para direcionar esse sentimento. Para provar pra mim mesmo que eu mudei.
Mas esse lugar que eu fui achar, acabou sendo tao distante e tao frio. 
Esse sentimento cresce aos poucos, diminui, amadurece, brota de noite, me afoga, me beija. E só me resta o nada. O etéreo. O frio de inverno. Noites mal dormidas. E a exuberante incerteza. Os se's. As historias do limiar do sono. Os cenários imaginários.
E não é por falta de coragem. Não mais. Coragem brota do meu peito, ao me olhar no espelho e ver meu eu de tantos anos atras. O que se perdeu pelo caminho pelas dores do mundo. 
Eu voltei. E quero mais. Quero a plenitude. 
Mas como proceder com esses sentimentos tao ambíguos. 
Se eu tivesse as respostas. 
Pelo menos poderia continuar. 
Racionalmente o cenário é inevitável. O canhão vai explodir. Vou ser mandado pra longe. Pra um outro país. E não tem mais volta. O que eu vou sacrificar por mim mesmo. Crucificar meu eu estagnado, romber com todos os lacres que me prendem a um circulo vicioso. O novo. O inesperado. 
Ah se eu pudesse me dividir em dois. Em muitos. Arrombar todas as portas. Ganhar todos os premios. Perder tudo que tenho pra perder. Mas viver pleno. E com tudo que me é de direito.

Não quero ter que sacrificar mais nada.
Mas parece que se não sacrificar por algo maior, vou acabar perdendo inevitavelmente
E o que me resta...
O que?

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Ilusão

Duvidas. 
Negação da própria sorte. Quando a lógica vira de cabeça pra baixo. O amor. É uma ilusão.
Sim. Duas pessoas são necessárias para criar um universo.
Para criar o amor.
O amor não passa de uma ilusão.
Quando duas pessoas enxergam a mesma ilusão.
O amor se torna real.
Mas quando só uma pessoa enxerga.
Não passa de uma piada cruel.
Uma goiva talhada no coração.
Um suspiro de morte.
Uma esperança torturante. 
Uma esperança que nunca morre.
Uma chama que nunca se apaga.
Mas incomoda. 
Não te deixa dormir a noite.
Mas é tão rara.
Tão bonita.
Que você não quer apagar.
Pois sabe que é difícil acende-la novamente.
Porém,
O que mais se pode fazer?
Ter fé? Lutar? Tentar?
Como?

Essa batalha perdida. Maldição.

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Dusk

De volta ao passado. Os velhos enigmas. Antigas perguntas, nunca respondidas. O sentido que se perdeu com o tempo. Parece que tinha me esquecido sobre isso. Vaguei esses anos todos, em busca de novas experiências, procurando as respostas, mas esquecia de fazer as velhas perguntas. É, parece que os velhos dilemas acabavam sendo esquecidos, deixados de lado, suprimidos por uma inevitabilidade de novos dramas, novos questionamentos. Uma cadeia de perguntas sem respostas.
Mas de vez em quando paramos e olhamos pra trás e percebemos, que algumas repostas de velhos dilemas aos poucos são esclarecidos. De repente a resposta nos salta a mente e temos uma ideia mais ampla sobre os comos e porquês. Em síntese a resposta sempre esteve na minha frente. Nos meus sonhos. Onde beirando ao precipício eu me deixava cair com os braços abertos e os olhos fechados. 
Leap of faith.
É mais do que a filosofia da aposta. De apostar e dar um all in. Não. É preciso mudar o ponto de vista e olhar de outra forma isso. É o porquê de não pular. O Medo.
Tudo se volta à essa sombriedade. O desejo de pular sem direção vem diretamente do medo de arriscar. Passei minha vida nos quases, mas não por uma ironia do destino. Não. As oportunidades sempre estiveram lá. E foi preciso se perder nesse mapa para descobrir que todos os caminhos levavam ao mesmo lugar. Eu me traia constantemente. Quando estava prestes a ganhar, eu ficava com medo. Medo do que aconteceria depois da queda. Aonde eu iria cair? 
Sempre parei na borda. Olhava para baixo e via o que me aguardava e nada me satisfazia. Ou então eu acreditava.
Não. Não bastava saber, eu tinha que ser. Ser a minha filosofia. Pintar a mascara e sumir. Eu olhava no espelho e a mudança repentina me assustava. Mas no final não era essa a pergunta certa. Não era qual mascara era mais real, mas para que essas mascaras serviam? 
Para me afastar. Para me iludir. Me iludir com a ilusão da realidade. Sim. Eu me iludia constantemente sobre uma ilusão, e acabava deixando a realidade fugir por entre meus dedos.
Procurava sem fim por um sinal de luz nessa escuridão, quando eu mal percebia que sim, estava de noite. Mas não estava vagando sem rumo. Não. A luz estava pra chegar.
Eu não estava mais perdido.
Dar o passo pra frente e descobrir que o precipício não está la. Nunca esteve. 
Não basta esperar a luz pra dar o passo. 
Nem tudo esta claro, e nem deve estar. O anoitecer. Eu tenho que começar a aceitar isso. Que depois de todo dia, vem a noite.
Aceitar a roleta do destino. Apostar no zero e torcer para que quando a roleta parar eu ganhe o premio maior.
Não. Não é uma aposta.
É estar disposto a aceitar o que vier.
O ganhar, o perder. 
Não importa o resultado, não é?
Enquanto não se sabe o resultado, não importa se ganha ou se perde.
Essa mutabilidade, essa inexatidão. 
É o drama da vida. A corda com que eu me enforco. O tesouro dentro de um baú nunca aberto.
É girar a chave mas não abrir a porta.
Os quases, sempre fui eu o cego.
Está de noite ainda.
Mas não tanto.

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Interludio

Há muito que as coisas andam devagar.
Uma sensação de dever cumprido ou de calma antes da tempestade.
Está tudo bem.
Algumas coisas mudaram. Iniciei um processo e aos poucos sinto meus muros caindo.
As provações andam difíceis, mas a cada dia percebo que estou um passo mais próximo.
Não sei quanto ao final, quanto ao resultado.
Mas permanecer onde eu estava. não dava mais.
Tive que sair, fugir, reinventar.
Desaprender tudo que aprendi e aprender novas habilidades.
Estou jogando fora o que nunca me serviu, e procurando novos quadros para essa galeria vazia.
Espero não parar de escrever aqui.
Mas se esse for o preço que tenho que pagar.
Que seja.

Estou alcançando um novo horizonte.

sábado, 16 de março de 2013

"Mas seu coração vivia em constante, turbulenta, agitação. Os conceitos mais fantásticos e grotescos perseguiam-no, à noite, em seu leito. Um universo de inefável pomposidade desenrolava-se em seu cérebro, enquanto ouvia o tique-taque do relógio sobre o lavatório e a lua inundava, com sua única claridade, as suas roupas, amontoadas no chão. Cada noite ele acrescentava algo às suas fantasias, até que a sonolência descia sobre alguma cena vívida com o seu manto do esquecimento. Durante algum tempo, esses devaneios proporcionavam uma válvula de escape à sua imaginação; eram uma sugestão satisfatória da irrealidade da realidade, uma promessa de que o rochedo do mundo se apoiava com segurança sobre uma asa encantada"

O Grande Gatsby - F. Scott Fitzgerald

sexta-feira, 8 de março de 2013

"Seus olhos cinzentos, um tanto contraídos, fitavam o caminho, mas ela havia, deliberadamente, modificado o caráter de nossas relações - e, por um momento, julguei que a amava. Mas sou um sujeito de raciocínio lento e cheio de regras interiores que agem como freios sobre os meus desejos - e eu sabia que primeiro teria de desembaraçar-me completamente, quando voltasse para casa, da complicação em que me achava. Eu vinha escrevendo uma vez por semana, cartas que terminavam assim: "Com amor, Nick" - e só o que eu conseguia pensar era no leve bigode de transpiração que aparecia sobre o lábio superior de uma certa garota, quando ela jogava tênis. Não obstante, havia entre nós um vago entendimento, que precisaria ser rompido com tato, antes que eu pudesse sentir-me livre.
Cada um de nós desconfia que possui pelo menos uma das virtudes cardinais - e a minha era esta: sou uma das poucas criaturas honestas que jamais conheci."

O grande Gatsby - F. Scott Fitzgerald