quinta-feira, 16 de abril de 2015

Drama

Sinto que descobri algo fantastico. Algo que há muito procurava, mas que nao tinha forma, nem nome, nem cor. O desespero me cessa aos poucos, a esperança flui. A promessa de bonança e redenção.
Tão bom, tão certo, tão facil. Facil...
Não, facil não.
Não vem sendo facil, venho lutando contra certos demonios e fantasmas.
Fujo do passado, fujo dos pensamentos ruins.
Quando estou perto, sinto uma terceira entidade no comodo, à espreita, observando.
Não sei ao certo o que é, quem é. Mas me diz que algo tão bom, não pode durar.
Esse passado machuca. Os dois passados.
O meu que nunca aconteceu,
E o dele que parece cada vez mais ter algo novo, alguem novo.
Não me sinto bem, as forças me falham, sinto que quanto mais eu tento, menos eu consigo.
Estou cansado fisicamente. Não sei porque. E sinto que essa terceira entidade ri de mim. Ri da minha cisma, do meu futuro, das minhas incertezas e medos.
Os passados andam se chocando, pois são muito opostos. E isso torce meu coração de um jeito que eu não sei por em palavras. O medo de nunca ser bom o suficiente, de tudo ser uma ilusão, de tudo não passar de insistência, de tudo ir pro espaço um dia ou depois e principalmente de descobrir cada vez mais, cada vez mais coisas que não vou gostar, que não vou conseguir surportar, que um dia quebrará meu espirito.
Não quero me apegar à algo fadado a perder, do mesmo modo que não quero machucar ninguem.
Esses pensamentos que não me largam, como quem sabe que se pular, não tem mais volta. Essa terceira entidade que não some, que sussurra no meu ouvido coisas que não quero ouvir. Informações que sempre tive medo de obter, mas que estão lá. Não sinto confiança ainda, não sinto paz. Sinto que estou sendo ludibriado cada vez mais.
Queria achar algo solido em que eu pudesse me agarrar, mas é tudo tão incerto. E cada vez mais eu descubro coisas que me deixam triste, que me traem a esperança, que me matam aos poucos.
Queria um dia descobrir algo que seja motivo de felicidade. Qualquer coisa minima, que eu pudesse me agarrar a isso. Que me de forças a crer.
Mas fica dificil. É quase impossivel achar isso, porque não existe. É pedir demais? Que a pessoa por quem eu me apaixonei não seja a pior parte de mim? Que exista uma luz?
Ah meu coração...
P.S. Já disse que coisas felizes eu não escrevo aqui. Aqui é um lugar para os meus demonios, para tudo que eu tento lutar contra. Não pense que isso é tudo, mas que é uma parte, sim.


quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Perdurar.

Voltei. O avião aterrissou e o mundo reaparece.
Depois de 10 minutos de estranheza, de colisão,
retornam as velhas cores, os velhos dilemas.
Um ano, que antes parecia tanta coisa, quase eterno,
parece um segundo na vida desse mundo.
Como se um ano nao tivesse passado,
Como se o outro lado do mundo ficasse na esquina de casa.
Voltei e o mundo me parece o mesmo.
Não que isso seja ruim, era o esperado.
Mas meu espirito se tornou grande demais para esse aquario.
E eu sinto que preciso persistir
para que esse sentimento perdure.
Não escape de mim,
Quero continuar crescendo. Quero que esse um ano se torne um divisor de aguas.
Minha mentalidade mudou e preciso lutar para não desbotar essas cores novas que achei.
E passar a usar as velhas roupas, do mesmo guarda-roupa empoeirado.
Tenho uma visão maior e não quero que isso desapareça.
Sonharei cada vez mais alto.


segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Ampulheta

Quando você acorda um dia e percebe que o tempo se foi.
Quando todos os planos que havia sonhado, hoje não cabem no tão pouco tempo que resta.
Meu coração sofre um aperto, essa desgraça de tempo.
Que se vai, que se acaba, que te limita.
A vontade de reviver, e repassar, de novo e de novo e de novo
O tempo.
Sinto que lutei tanto pra chegar aqui, e agora que estou aqui, o tempo me falta.
Sinto que desperdicei tanta coisa, tantas oportunidades, tantos lugares, pessoas que nao conheci.
Tenho um assombro de que esse ano que passou, foi um grande desperdicio,
Onde eu simplesmente fiz tudo que não queria fazer, e nada do que precisava.
Sinto que cheguei num ponto que consigo olhar pra traz e ver que poderia ter sido muito melhor,
Que eu devia ter feito bem diferente.
E agora não tenho mais tempo, pra fazer o que eu quero fazer.
Pra aprender o que eu quero aprender.
Tantos planos pelo ralo.
E essa efemeridade de que tudo se esvai,
Tudo que foi conquistado aqui, tudo se vai.
Que no dia 23 de fevereiro estarei de volta ao chão,
De voltas às mesmas tramas, às mesmas limitações.
Sinto que mudei bastante aqui e tenho medo de perder isso,
Medo de nunca mais retornar.
Só queria poder voltar,
Voltar nesse tempo.
Como eu de agora,
Que no dia 23 quando eu levantar voo daqui,
aterrise no dia 24 do ano passado.
Ah quisera o tempo se distorcer por um mimo de um menino,
Que não cansa de desperdiçar o tempo

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Mensagem em uma Garrafa

Ato I  - Empatia

Sinto que venho sendo injusto.
Quando criança sempre tive facilidade para o intuitivo e para o sentimental. Conseguia com uma tremenda facilidade entender as pessoas. Sentir o que elas sentiam.
Em contra partida, o lógico, o simples, o trivial. Nunca me veio fácil.
Sempre tive a sensação de que todos conheciam algo que eu não sabia.
Que o que me parecia sempre novidade, era algo que todos ja conheciam há muito tempo.
Sempre me senti um passo atrás, menos humano.
De tempos em tempos me via em situações onde pessoas cobravam-me algo que eu nunca recebi. Algo que eu nunca aprendi. Algo que eu nunca vivenciei.
Não sei se foi algum erro na educação, algum retardo mental ou o destino drummondriano que me afetou desse jeito.
Esse sentimento de desespero era ampliado, pelo desespero do mundo.
Que eu sentia, a cada pessoa, a cada nova vida. Que me olhava nos olhos, no fundo do meu ser.
E eu conseguia sentir. O desprezo, as expectativas, o amor sufocante, os desejos, os desesperos.
Tudo me vinha. E tudo eu sentia.
Essa faca de dois gumes foi o que sempre me aprisionou.
Tive que seletivar amigos, pois não aguentava sentir.
Esgotavam-me facil, a cada encontro, a cada conversa.
E eu queria ajudar, queria ser o motivo da alegria de alguem, curar todas as dores do mundo, ser o eixo que não quebra, que não entorta, que nunca sai fora do tom.
Aos poucos esses sentimentos me invadiam e me inundavam.
Aos poucos, não reconhecia mais quais eram os meus e quais eram os do mundo.
E eu cometi muitos erros, machuquei muitas pessoas sem necessidade, tudo por querer ser tudo pra todos. Ser o imbatível, o inabalável, o coringa da carta de baralho.
E eu fui me perdendo.
E eu fui enlouquecendo.

Ato II - A torre fulminada

Tranquei-me emocionalmente. Fechei-me numa torre perdida, no alto da colina de rosas vermelhas.
Passei a viver e refletir, e a conhecer o mundo. Observava de longe os passageiros. Trocava cartas, Mensagens em garrafas. Cantigas de roda.
Aprendi muito sobre o mundo olhando aqui de cima. Via as pessoas se divertindo, passando. Sempre tão facil, sempre tão normal.
Ao mesmo tempo em que esperava.
O que? Nunca soube.
Com o tempo as pessoas se perguntaram quem era o garoto preso no alto da torre.
Alguns até tentaram escalar e descobrir.
Mas a torre parecia crescer a cada metro subido.
O destino parecia rir das esperanças do menino.
E o menino começou a aceitar isso, e a deixar-se enganar pela escuridão que aos poucos parecia penetrar naquela torre.
Não havia companhia. Não havia corpo quente. Não havia proximidade.
A simples espera de algo impossivel, improvavel, inexistente.
Uma morte lenta parecia mais provavel.
Foi pouco a pouco fechando seu contato com a esperança.
Mas as dores do mundo continuavam.
Penetravam pelos raios de sol de cada fresta de cada janela.
De cada buraco por dentre as pedras.
A familia, os amigos com quem convivia, e o proprio reflexo no espelho,
pareciam enforca-lo.
Ele queria sair, fugir, conhecer coisas novas.
Não aguentava mais. Não sabia mais quem era.
Perdera sua identidade em indagações e esqueceu que a vida era algo mais.
E as dores desse menino, eu sentia como se fossem minhas.
Como se me torturassem toda a noite antes de dormir.
E eu não pude mais aguentar.
Escalei novamente aquela torre.
Aquela torre que sempre me pareceu cada vez mais distante.
Subi o maximo que pude. Subi o infinito e finalmente cheguei no topo para salva-lo.
E quando finalmente me dei por mim, estava sozinho no topo da torre olhando para meu proprio reflexo.
A imagem do menino cuja identidade se perdeu em algum momento dessa história.
E um raio partiu essa torre ao meio. E tanto eu quanto esse reflexo caimos.
Indefinitamente. No amago desse universo.
Estilhaçaram-se no chão e só um se levantou.

Ato III - Signo de Gemeos.

As dores ampliadas da queda me ajudaram a reconstruir meu ser. Eu senti uma dor que era tão minha, quanto do mundo. E isso me era ampliado indefinidamente.
Aos poucos aprendi a filtrar. O que era meu e o que me era alheio.
Tive que cortar relação com o mundo para conseguir isso.
E me pus a andar. Caminhei por caminhos tortuosos, que levavam a lugar algum.
Conheci pessoas de perto. Precisei de pessoas. Precisei de carinho.
Aos poucos passei a não me importar.
As dores do mundo que tanto me assolavam pareciam diminuir até se tornarem insignificantes.
Tornei-me um tanto quanto niilista.
Mas pelo menos algo estava acontecendo.
Sentia o crescimento acontecendo.
Quanto mais conhecia o mundo, mais o mundo entrava em mim.
E eu passei a entender o mundo como um todo,
Passei a desvendar os misterios, e achar respostas.
Fui pra outro país. Fui pra outra linguagem. Fui pra outro mundo.
E o que encontrei foi novamente a sensação de atraso.
De que os anos que passei naquela torre, ocasionaram a perda de grande parte da minha vida.
Novamente as pessoas pareciam dez até quinze passos à frente.
E eu sinto a ansiedade tomar conta de mim.
Novamente me sinto julgado, por ser algo diferente, por ser alguem diferente.
Sinto que não importa o quanto você corra, o mundo sempre vai esperar mais de você.
Sempre vai te puxar pra frente até você quebrar.
Vai te atropelar como uma roda que não pode ser parada.
E eu decidi marcar o passo. Correr.
Sinto que estive sendo injusto por muito tempo.


Ato IV - Revelação, Karma e Decisões
(Antes que se passe um segundo, você terá morrido cem mil vezes)

Essa injustiça é uma traição. Minha para com as pessoas que um dia chamei de amigo.
Como sempre fui de sentir o coração das pessoas. Aprendi a manipular certos acontecimentos para conseguir um pouco de paz, um pouco de ar para respirar. Sentia-me o vilão dos quadrinhos, com uma mentalidade diabólica. Sentia-me egoista por não conseguir ser a altura dos sentimentos do mundo. Das expectativas. Dos amores. Do status quo. Como se sempre estivesse à beira de decepcionar alguém pelo simples fato de existir. E de mentir. E de tentar ser o que as pessoas queriam que eu fosse. Por isso sempre foi dificil viver em sociedade. Por que socializar era mentir. Era sempre estar atento. Era não deixar transparecer. Era sempre estar a beira de ter que fugir caso tudo explodisse.
Ao escrever essas palavras, até me assusto com o quanto elas traduzem o meu eu. O quanto elas traduzem diversos episodios da minha vida.
E acho que preciso começar a correr, para alcançar o que ainda me parece tão longe.
O que parece simples para todos, mas pra mim ainda é complicado.
O que eu cismo em deixar me enforcar.
E o primeiro passo é assumir a verdade.
A verdade que até tentei dizer um dia na calada da noite, de madrugada.
E a verdade, mesmo que simples, é essa.
Sou gay.
Incontestavelmente homossexual.
...

E de repende as palavras me faltam para continuar.
O que nunca estive preparado para. O que sempre me deu medo.
A verdade que tira meu mundo dos eixos.
Enfim, deixarei por aqui essa mensagem perdida nessa garrafa ilusória.
Que os bons ventos a levem...




terça-feira, 16 de dezembro de 2014

OH my heart

“Sometimes I’m terrified of my heart; of its constant hunger for whatever it is it wants. The way it stops and starts.”


Preso num labirinto a-dimensional. Sem saber que porta abrir. O caminho some debaixo dos meus pés. Nao sei pra onde quero ir, pra onde estou indo, de onde vim.  Estou a me perder em questionamentos sem finalidade. Estou a me perder em afirmações segregadas. 
Nao sei o que sinto. 
O que sinto vem, passa, fica, volta, some, desaparece. 
E eu começo a me perguntar o quanto algo pode realmente durar?
O quanto vai valer? 
Haverá algo que será permanente? 
Ou estou fadado a esse passar, esse nunca descer em nenhum ponto. 
Por nunca parecer perto o suficiente de casa.
Nao sei o que sinto. Se sinto. Se imagino ou se crio enquanto entediado.
Amo o que não é. O que nunca será. O que nunca nem poderia ser. 
Amo o que me falta, o que não está na minha frente, mas no fundo do copo de bebida. 
Procuro insolentemente e grito pra todos os lados com razão.
Mas a razão me some, a vontade de gritar me some, 
E tudo isso implode dentro de meu peito, 
E eu canso. De viver, de morrer, de existir.
Sinto um estranho dentro de mim, que todo dia muda de face, muda de voz, muda de ideia.
E sussura no meu ouvido frases que nunca quero ouvir, que sempre quero ouvir, que nao sei de onde surgem. 
Frases que já ouvi, que ja disse, que simplesmente criei.
Eu estou perdido. Achado. Acorrentado num barco sem rumo. Sem vento. Sem cais. 
A vida me passa, em quadros emoldurados que ja nao pareço conhecer.
Pessoas me surpreendem e logo após me aborrecem.
Minha paciencia se vai junto com minha capacidade de ser surpreendido.
Nada novo ai. 
A palavra do ano é: Falta de
Muita coisa mudou, e eu vejo isso como avanço.
Avanço pra onde? Ainda não sei.
Mas nao quero voltar. 
Ainda não ao menos. 
Sinto que existe uma nova sala, novas portas, novos quadros, 
prontos para serem emoldurados.
Quero que tudo queime. Tudo que nao me faz bem, nunca me fez, nunca me fará.
Quero o sol, a lua, em trigono com o horizonte.
Quero uma nova velha vida, que nao se cansa de desaparecer por entre meu toque. 
Quero algo que dure. Que perdure. Que sobreviva.
Algo que eu nao consiga matar e que nao me mate com o tempo.
Que de dor e alegria já vivi até demais.
Quero algo maior. 
Quero certezas, quero o divino.
Quero apostar todas as cartas, jogar outro jogo. 
Mudar os jogadores.
Chega de jogar. 
Chega de ter esperanças.
Aderi ao diabo do meu ombro, 
enquanto o anjo-peste, que nunca me larga, dorme

sábado, 15 de novembro de 2014

Weltschmerz

Ando sem paciência. Irritado. Misantropo.
Não acho motivo ou explicação.
Sinto um desapego muito forte.
E ao mesmo tempo, uma perdição em meio a tanta dor.
Atacado por todos os lado.
A sociedade parece me sufocar.
O mundo parece fora dos eixos,
perdido em meio ao nada.
Caos, entropia...
Sinto intolerancia, mente fechada.
Desamor, Desprezo.
Enforco esses sentimentos como quem enforca a si mesmo.
Quero o mundo novo, a cura, a esperança de volta.
Mas só vejo mortes, morte de tudo que é digno e sagrado.
Por uma apatia.
E eu começo a ser infectado.
Só me resta morrer aos poucos.
No esquecimento desse mundo onde tudo passa
Tão rapido, tão efemero.
Inutilmente fadado a ser esquecido.
Como se nossas dores, nossas qualidades, nosso ser,
Sejam coisa pouca.
Mas se algo que é tão grande pra si, que quase nao cabe no peito,
Que quer explodir, fazer todos notarem.
Pode ser algo tao pequeno?
Me sinto infinitesimal.
Nao sei mais o que é importante.
Se há algo de importante.
Quero alguem que nao se contente com essa imparcialidade,
nem com esse isolamento de ser.
Alguem que esteja longe de ser eu.

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Credo

Acredite nas pessoas. Não esqueça. Só o outro pode te mudar de verdade. Você, sozinho, estará sempre limitado. Abra portas. Não se feche. É necessário aceitar o mundo se voce quiser evoluir e entender. Seja o que for. Abrace o mundo. Conheça as profundezas de todas as cavernas, a sombra de todas as rochas, os raios de todos os sóis. Seja a luz e a sombra. Não esqueça.

Não esqueça disso.

As pessoas são o meio. Não o fim.

Absorva.

Tenha fé.