Mas claro que não só isso.
Revirando os incontáveis baús de memórias.
Tanto físicos quanto mentais.
Nós nos sentimos meio nostálgicos quando a chuva do mês onze nos bate na janela de casa.
A noite parece suave e quase suspirando mil e um segredos nunca contados.
É.
As vezes as coisas voltam. Os caminhos se cruzam novamente.
Vemos o quanto se mudou e o quanto se permaneceu igual.
Não posso esconder meu contentamento ao receber notícias e ouvir histórias escritas de um tempo que já passou.
Nos mostra o quanto não foi em vão tudo o que nos aconteceu e acontece.
Que por mais que tentamos esquecer, e deixar de lado e seguir. Percebemos que no fundo aquilo não precisa ficar guardado numa velha gaveta dentro do armário atrás das velhas roupas jamais usadas.
Mas que serve para nos lembrar o quanto o tempo era bom.
O quanto nós cedemos e o quanto nós choramos.
O quanto nós vencemos.
É algo valioso que nos atém à memória e sente-se o peito aquecer enquanto é lembrado.
Um tempo que parece tão longe e ao mesmo tempo tão perto.
Nessa noite.
Tantas histórias.
Tantos mundos.
Outrora quisera nossa história ter sido outra.
Nosso tempo outro.
Esse blog no fundo é criação sua.
Surgiu com você.
E o que era um meio acabou se tornando um fim.
Um segredo meu que tu sempre poderás entrar.
Fico feliz por ter reencontrado uma das coisas que perdi.
Por mais que pareça meio como uma roupa antiga que já não nos cabe mais.
Ainda sinto um alívio e uma felicidade em ter por perto alguem que por tanto andou por esse labirinto chamado Sérgio.
feliz aniversário
e que venham muitos outros.
S.
sábado, 3 de novembro de 2012
sexta-feira, 12 de outubro de 2012
"Fiz de mim o que não soube
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência
Por ser inofensivo"
-Trecho "Tabacaria" - Fernando Pessoa
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência
Por ser inofensivo"
-Trecho "Tabacaria" - Fernando Pessoa
domingo, 30 de setembro de 2012
Luz
Eu não sei o que me leva até você.
Te procuro nos meus sonhos.
Essa luz quente que vem, sabe-se lá daonde.
Vem queimando toda escuridão completamente.
Apaziguando.
Essa luz intensa.
Que há muito achava que estava perdida.
Não sei se estou certo.
Mas eu sinto que essa luz veio procurar minha escuridão.
Que perdidos pelo universo, nos encontramos por mero acaso.
E nossas almas gritaram uma pra outra.
Sua luz não consegue se aproximar das minhas trevas sem leva-las embora.
Dissipando aos poucos.
Eu quero lutar por isso.
Queimar a luz que existe em mim e te encontrar.
---
Mas tenho medo
Medo de que essa luz esteja me cegando.
De que por mais bela que possa parecer.
Não esteja destinado à minha posse.
Que essa luz desapareça a qualquer momento.
Que depois que eu me livrar disso eu não consiga mais voltar.
Caso algo de errado.
Tenho medo de que essa luz não brilhe por mim.
De que minhas trevas sejam forte de mais.
De que essa luz seja circundada pelas minhas trevas.
Quero te mostrar o abismo.
O abismo da minha alma.
O quão fundo você pode chegar?
Dentro do meu coração.
Dentro das
Trevas
Te procuro nos meus sonhos.
Essa luz quente que vem, sabe-se lá daonde.
Vem queimando toda escuridão completamente.
Apaziguando.
Essa luz intensa.
Que há muito achava que estava perdida.
Não sei se estou certo.
Mas eu sinto que essa luz veio procurar minha escuridão.
Que perdidos pelo universo, nos encontramos por mero acaso.
E nossas almas gritaram uma pra outra.
Sua luz não consegue se aproximar das minhas trevas sem leva-las embora.
Dissipando aos poucos.
Eu quero lutar por isso.
Queimar a luz que existe em mim e te encontrar.
---
Mas tenho medo
Medo de que essa luz esteja me cegando.
De que por mais bela que possa parecer.
Não esteja destinado à minha posse.
Que essa luz desapareça a qualquer momento.
Que depois que eu me livrar disso eu não consiga mais voltar.
Caso algo de errado.
Tenho medo de que essa luz não brilhe por mim.
De que minhas trevas sejam forte de mais.
De que essa luz seja circundada pelas minhas trevas.
Quero te mostrar o abismo.
O abismo da minha alma.
O quão fundo você pode chegar?
Dentro do meu coração.
Dentro das
Trevas
domingo, 23 de setembro de 2012
Ambivalência
mascarada de indecisão.
Perdas e mais perdas,
caminhos sem saída, e voltas e voltas e voltas.
E amar. Amor desnecessário. Amor doente. Amor recluso.
Amor do plano astral.
Promessas. Promessas. Promessas.
Amores desencontros.
Fugas. Olhares. Perseguição.
A balança do amor que sempre pende pra um dos lados.
O amor que sufoca e nunca basta.
O querer mais e nao ter coragem de pedir.
O nao querer pedir pra não ter que jogar fora as sobras.
Eu quero tanto dar um passo pra frente.
Mas não quero encontrar mais um desfiladeiro na proxima esquina.
E não, eu não sei como mudar.
Eu não quero mudar.
Ta tão bom assim.
Desculpas, mentiras. Dias felizes, dias tristes.
Muito melhor do que o tédio do real.
Que o tédio das caricias e brigas e amor e odio.
Não, não acredito nisso de verdade.
Mas não posso fugir disso sozinho.
NÃO BASTA SÓ ACREDITAR.
É preciso ter motivos para tal.
Droga...
Perdas e mais perdas,
caminhos sem saída, e voltas e voltas e voltas.
E amar. Amor desnecessário. Amor doente. Amor recluso.
Amor do plano astral.
Promessas. Promessas. Promessas.
Amores desencontros.
Fugas. Olhares. Perseguição.
A balança do amor que sempre pende pra um dos lados.
O amor que sufoca e nunca basta.
O querer mais e nao ter coragem de pedir.
O nao querer pedir pra não ter que jogar fora as sobras.
Eu quero tanto dar um passo pra frente.
Mas não quero encontrar mais um desfiladeiro na proxima esquina.
E não, eu não sei como mudar.
Eu não quero mudar.
Ta tão bom assim.
Desculpas, mentiras. Dias felizes, dias tristes.
Muito melhor do que o tédio do real.
Que o tédio das caricias e brigas e amor e odio.
Não, não acredito nisso de verdade.
Mas não posso fugir disso sozinho.
NÃO BASTA SÓ ACREDITAR.
É preciso ter motivos para tal.
Droga...
sexta-feira, 14 de setembro de 2012
Despista-me
Me engana. Minta. Troque as respostas.
Eu não estou querendo concordar.
Nem sei o que quero, se quero, se sinto, se minto.
Não sei se sei o que sei se não sei.
Uma voz me sussurra e quando vejo eu estou querendo.
Mas uma voz maior ainda me assombra, me da medo,
me diz que não posso, não devo, não vai dar certo.
Não vai durar, não vai nem começar.
Só se perder novamente, sem achar nada.
Pra sair de um labirinto é muito simples.
Basta colocar sua mão na parede e seguir em frente sem tira-la.
Siga a parede.
Uma hora você encontra a saída.
Tolo eu. Pst.
Como se alguém tivesse interesse suficiente para tanto.
Nem você, nem eu, nem deus.
Não tente me salvar.
Não quero ser salvo.
Não entre se não for pra ficar.
Pelo menos pro chá...
Eu não estou querendo concordar.
Nem sei o que quero, se quero, se sinto, se minto.
Não sei se sei o que sei se não sei.
Uma voz me sussurra e quando vejo eu estou querendo.
Mas uma voz maior ainda me assombra, me da medo,
me diz que não posso, não devo, não vai dar certo.
Não vai durar, não vai nem começar.
Só se perder novamente, sem achar nada.
Pra sair de um labirinto é muito simples.
Basta colocar sua mão na parede e seguir em frente sem tira-la.
Siga a parede.
Uma hora você encontra a saída.
Tolo eu. Pst.
Como se alguém tivesse interesse suficiente para tanto.
Nem você, nem eu, nem deus.
Não tente me salvar.
Não quero ser salvo.
Não entre se não for pra ficar.
Pelo menos pro chá...
domingo, 26 de agosto de 2012
Miragem
Tentei tanto me desfazer. Fiz as piores escolhas, dei voltas e voltas e andei na contramão. Amei aqueles que me odiavam e abandonei quem me desejava bem. Tracei linhas retas em paginas tortas, cortei os laços que não serviam mais.
Fui machucado. Fui deixado sangrando.
O ódio me consumiu.
As trevas, as lagrimas as sombras e os medos.
Me corroeram por dentro. E me fizeram esquecer.
Fugir.
Eu quebrei as correntes dessa prisão.
Deixei o vento entrar, a onda me levar e a luz entrar.
Pulei desse precipicio esperando voar.
E asas negras e brancas me salvaram da queda.
Essa inconstancia. Esse amar-odiar.
Esse paradoxo.
É o meu verdadeiro amor.
Eu não fujo mais.
Eu mudei.
Eu sinto a luz e as trevas dentro de mim.
E não há porque ser de outro jeito.
Elas se completam.
Finalmente vi isso.
...
Qual o próximo mistério?
Fui machucado. Fui deixado sangrando.
O ódio me consumiu.
As trevas, as lagrimas as sombras e os medos.
Me corroeram por dentro. E me fizeram esquecer.
Fugir.
Eu quebrei as correntes dessa prisão.
Deixei o vento entrar, a onda me levar e a luz entrar.
Pulei desse precipicio esperando voar.
E asas negras e brancas me salvaram da queda.
Essa inconstancia. Esse amar-odiar.
Esse paradoxo.
É o meu verdadeiro amor.
Eu não fujo mais.
Eu mudei.
Eu sinto a luz e as trevas dentro de mim.
E não há porque ser de outro jeito.
Elas se completam.
Finalmente vi isso.
...
Qual o próximo mistério?
sábado, 11 de agosto de 2012
"O homem de preto sorriu.
-Devemos então dizer a verdade, eu e você? Sem mais mentiras?
-Achei que já tínhamos começado.
Mas o homem de preto insistiu como se Roland não tivesse falado.
-Deve existir verdade entre nós, como dois homens? Não como amigos, mas como iguais? É uma proposta que você raramente ouve, Roland. Só iguais falam a verdade, é assim que penso. Amigos e amantes mentem sem parar, presos na teia do respeito. Como é cansativo!
[...]
-Sente-se - o homem de preto convidou - Posso lhe contar histórias, tantas quantas quiser ouvir. Mas acho que você tem histórias muito mais compridas.
-Não falo de mim mesmo - murmurou o pistoleiro.
-Mas esta noite deve falar. Para que possamos compreender.
-Compreender o quê? Meu objetivo? Você o conhece. Encontrar a Torre é meu objetivo. Estou jurado.
-Não seu objetivo, pistoleiro. Sua mente. Sua mente burra, persistente, obstinada. Nunca houve mente como essa em toda a história do mundo. Talvez na história da criação.
-Esta é a hora de falar. A hora de contar histórias.
-Então fale."
- A Torre Negra Vol 1. O Pistoleiro -Stephen King
-Devemos então dizer a verdade, eu e você? Sem mais mentiras?
-Achei que já tínhamos começado.
Mas o homem de preto insistiu como se Roland não tivesse falado.
-Deve existir verdade entre nós, como dois homens? Não como amigos, mas como iguais? É uma proposta que você raramente ouve, Roland. Só iguais falam a verdade, é assim que penso. Amigos e amantes mentem sem parar, presos na teia do respeito. Como é cansativo!
[...]
-Sente-se - o homem de preto convidou - Posso lhe contar histórias, tantas quantas quiser ouvir. Mas acho que você tem histórias muito mais compridas.
-Não falo de mim mesmo - murmurou o pistoleiro.
-Mas esta noite deve falar. Para que possamos compreender.
-Compreender o quê? Meu objetivo? Você o conhece. Encontrar a Torre é meu objetivo. Estou jurado.
-Não seu objetivo, pistoleiro. Sua mente. Sua mente burra, persistente, obstinada. Nunca houve mente como essa em toda a história do mundo. Talvez na história da criação.
-Esta é a hora de falar. A hora de contar histórias.
-Então fale."
- A Torre Negra Vol 1. O Pistoleiro -Stephen King
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