quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Ruidos (parte 1)

Não sei quando me tornei tão indiferente,
Estoico ou cinico.
Os dramas que a vida me traz, hoje parecem tão indiferentes.
Sem paciência pra lutar,
Sem paciência pra me importar.
Tornei-me apatico à quase tudo.
Nada me move, nada me instiga apreço.
Não sinto mais nada,
A felicidade me é morna,
A tristeza me é rotineira.
Não sinto desejo de voltar.
Não sei para onde ir.
Suficente? Longe disso,
Mas a alternativa também não me agrada.
Fujo de qualquer traço humano enquanto me escondo em mentiras.
Que cada vez mais parecem verdades.
Eu odiava isso. Nunca quis ser assim. Indiferente.
Mas quanto mais a vida passa, mais tudo parece insignificante.
Nossos dramas eternamente fadados a se repetir.
E com que finalidade?
Acreditava que havia algo à ser aprendido, mas só esperava que as velhas historias parassem de tentar nos machucar, tentar nos redimir.
Não, eu não achei nenhuma resposta ainda. Mas não quer dizer que tenha desistido.
Só não vou ficar parado enquanto há tanta coisa ainda para ser descoberta.
O mundo me freia. Tentam fazer eu me sentir culpado por querer mudar, querer avançar.
Querer experimentar coisas que nunca tive oportunidade antes.
Explorar cada canto obscuro do meu ser.
E que até onde eu sei, é ai que se começa a filosofia.
Quero me conhecer mais, e cada vez mais descubro algo novo sobre mim,
E por enquanto é a unica coisa que me move, que finalmente faz sentido.
Vou devagar, vou sem forçar nada.
Continuo indeciso, claro que sim.
Decisões nunca foram meu ponto forte.
Sempre tive medo das consequencias, do que cada escolha pode trazer.
Mas novamente o mundo tem me tornado indiferente a esses empecilhos.

domingo, 3 de agosto de 2014

O perdedor está só

Vencer não é pra mim. Nunca foi.
Desde que me lembro, sinto que cada objetivo meu é um grande fracasso.
Ou pelo menos nunca algo cem porcento perfeito.
Sou amaldiçoado com o mediano. O Comum. O nunca ser extraordinário;
Procuro sem cessar por uma vitória.
Mas a cada derrota, um pedaço de mim se vai.
Some. Morre. Quebra. Sangra.
E aos poucos tenho que pensar antes de responder perguntas como
"Qual sua idade?"
De fato o tempo passa, e sinto que estou numa eterna frenagem.
Como se nada pudesse ser alcançado sem atrito.
Arrasta, não flui.
Eu queria paz.
Só paz.
Mas nem isso eu consigo.

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Desfiguração

O corpo cai e some em meio a nevoa.
A passagem por entre os deuses se fecha,
Seria eu honrado o suficiente?
Não. Obvio que não.
Não mereço a dadiva celestial,
O sangue dos meus antepassados
Ainda que jorrados pela terra aos quatro ventos
De nada serviu como preço
Pela punição.
Vivo sem dor, sem rumo, sem gracejo.
Sem perseverar.
Me abasteço de ilusões.
Enganos, Caminhos errados.
Me apaixono pelo que nunca será;
Vivo o que nunca vai ser.
Me deixo levar, me abstenho, dou minha opinião faço gracejo;
Só me falta a paz, a vitória, a conquista.
Coisa que nunca será minha.
Coisa que sempre estará um passo mais longe.
Fora do alcance.
Fora de vista.
Tão perto, e ao mesmo tempo desconcertantemente longe.
Não sei como ainda aguento o peso do mundo em mim mesmo.
As pessoas, me decepcionam.
Desejo a vida, à essa constante segregação
Nunca pertencer.
Nunca estar satisfeito.

sexta-feira, 11 de julho de 2014

O eterno transtorno.

Escuto o som de algo se quebrando.
Não sei ao certo de onde ele vem. 
Procuro os pedaços de algo pelo escuro do meu quarto. 
Um fio de luz atravessa a cortina e me cega momentaneamente. 
Não me encontro mais em meu quarto. 
Algo se quebrou e estou num lugar estranho. 
As pessoas passam sem me reconhecer. 
Me vejo num corpo estranho, com o qual sigo perdido,
Não sei usá-lo.
Percebo que estou sangrando. 
Procuro uma ferida qualquer e não acho.
Desisto de procurar. Deixo a dor me anestesiar.
Retorno ao quarto da penumbra cinzenta.
Direciono-me à janela, mas quanto mais perto pareço estar
Mais se afasta o meu destino. 
Corro como quem houve o som de um disparo de corrida,
Não posso perder. 
Não mais. 
A luz continua inatingivel, e por um momento me falha a esperança. 
Escorrego e caio pela janela. 
Um momento de silencio,
O mundo como um eterno borrão
E o som de algo se quebrando. 

domingo, 27 de abril de 2014

“I want to tell you something today, something that I have known for a long while, and you know it too; but perhaps you have never said it to yourself. I am going to tell you now what it is that I know about you and me and our fate. You, Harry, have been an artist and a thinker, a man full of joy and faith, always on the track of what is great and eternal, never content with the trivial and petty.But the more life has awakened you and brought you back to yourself, the greater has your need been and the deeper the sufferings and dread and despair that have overtaken you, till you were up to your neck in them. And all that you once knew and loved and revered as beautiful and sacred, all the belief you once had in mankind and our high destiny, has been of no avail and has lost its worth and gone to pieces. Your faith found no more air to breathe. And suffocation is a hard death. Is that true, Harry? Is that your fate?” - Hermann Hesse

Hoffnung

Não sei dizer ao certo. Sinto um cansaço do universo. Como se tivesse cansado de sempre obter os mesmos resultados. É tudo tão previsivel que parei de me surpreender com as trevas susurrando nos meus ouvidos. O terrivel não é mais tao assustador. A solidão não me deixa mais triste do que o normal. Sinto que me acostumei com essas escuridão. Estou começando a aceitar as coisas como são e simplesmente aproveitar o pouco que sobra, que nunca me é suficiente. Mas o que mais posso fazer? Já tentei muitas coisas. Mudei de país, de lingua, de costumes. E ainda assim, aquilo que mais procuro, me falta. Não esta nos livros, nos amigos, nos desconhecidos, nas coincidências, nas rezas, na minha mente.
Não está em nenhum lugar, não existe.
Nada mais é tão dramático. Nada mais me deixa indignado.
Não tenho mais o que escrever aqui, além de puro cinismo .
Se quiser vir, que venha, se sumir, não me fará falta.
A dor não me afeta mais como antes.
Não sinto mais nada que me mova. Nada que me faça pular do precipicio. Nem precipicio vejo mais.
Só o céu. Cansei de ficar na beira do precipicio. Vou deitar aqui e olhar pro céu. Até que a noite caia e as estrelas me ceguem. Que a chuva venha se misturar com as lagrimas de meu coração. Que o sol seque minha agonia e me deixe seco, oco, vazio. Que o vento me leve daqui.

Só quero paz. Não peço nada mais que isso.

Não venha tentar agitar o meu mundo. Meu mundo está girando na velocidade certa.

sábado, 22 de março de 2014

Desabafo

Confesso que ao vir para um mundo novo, esperava muito mais. Não querendo ser ingrato, muito pelo contrário, agradeço muito a oportunidade de estar aqui, porém não consigo tirar da cabeça que ainda falta algo.
Vem sendo um desafio morar nesse novo mundo. Sim. Porém um desafio que é muito mais sobre adaptação. Adaptação a novos costumes, novas formas de fazer as coisas, novas moedas, novos idiomas. É difícil, mas nada impossível.
Não estou desmotivado, não estou triste, não estou com saudades de casa. Não.
Só esperava mais. Mais que um desafio de adaptabilidade.
Sim é algo para aprender coisas novas, ver o mundo de outro jeito. Ok.
Mas era o esperado não?
Cade aquele algo mais, que minha intuição me fez acreditar. Que aos poucos foi o que me moveu aqui.
Esperava muito mais uma mudança existencial do que um simples teste de adaptação. Esperava que algo aqui pudesse me ensinar algo mais sobre mim mesmo, esperava achar pessoas diferentes, mas a verdade é que achei pessoas iguais as que eu sempre conheci. A unica diferença é que eu sou o estrangeiro, o que não pertence a essa sociedade, e a tendencia é muito mais de me afastarem do que de me acolherem.
A verdade é que estou sem amigos ainda, mas a verdade mais cruel é que não conheci ninguem com quem eu queira fazer amizades.
Passei semanas irritado sem ter com quem sair e me ajudar, mas aos poucos fui percebendo que não era bem esse o problema.
Pessoas sociaveis aqui não faltam, é verdade. Encontrei pessoas que me acolheram e que estao dispostas a ser meus amigos. Tudo que falta é eu dar o primeiro passo. Mas o mais assustador é eu não sentir simpatia por elas. Não querer ser amigos delas.
Pode parecer meio cruel, mas de certo modo é verdade. Não senti afinidade por ninguem ainda.
Não quer dizer também que eu odeie a todos, longe disso. Agradeço muito a simpatia de todos aqui, mas ainda falta alguma coisa. 
Meu coração não me guia mais, ele está calado. Eu me sinto perdido. No fundo sempre escutei uma voz que me dizia o caminho que era o certo (ou o caminho pelo qual eu queria percorrer de verdade). Aqui não, essa minha voz interna sumiu, e me deixou largado sem saber o que fazer. O que me movimenta é meu racional, sei o que preciso fazer e tento ao maximo sobreviver. Mas isso deixou a muito tempo de ser vida. Não estou sozinho, só estou só. E não sei se essa minha intuição vai voltar tão cedo.
Algo me diz que tem algo chegando, que eu não vim pra ca por nada. Os sinais as vezes me aparecem e a certeza me vem. Só não sei que caminho escolher.
Antigamente eu via um precipicio, mas eu sabia que quando eu desse o proximo passo, o chão se criaria na minha frente e eu atravessaria. Hoje o mesmo precipicio me da medo, e a duvida me impede. Não é o medo de cair, é a ignorancia de não saber em que parte do precipicio dar o primeiro passo.
Não saber pra onde ir. Se sentir desnorteado.
E todo mundo usar o imperativo comigo, também não ajuda.
"Vai viajar. Leva o lixo pra fora. Visita um museu. Bate fotos. Vai ao cinema. Deixa a timidez de lado. Mude. Seja amigável. Faça amigos. Saia de casa"
Eu realmente não sei.
Perdi o mapa de minha mente.
E não vejo nenhum ponto que possa me ajudar a me achar.